Portal Zap - 13 de julho, “Dia Mundial do Rock”: entrevista com o grupo de rock de Juazeiro, “Semivelhos”





13 de julho, “Dia Mundial do Rock”: entrevista com o grupo de rock de Juazeiro, “Semivelhos”
Homenagem
publicada em 13/07/2017

No dia 13 de julho de 1985, foi realizado, simultaneamente, em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos Estados Unidos, o festival Live Aid. O evento era beneficente, e tinha o objetivo de arrecadar doações para famílias da Etiópia. Vários artistas renomados estiveram presente, como Madonna, Scorpions, U2 e Paul McCartney. Phil Collins participou da festa, e tocou nos dois países. Na ocasião, o cantor declarou aquele como o “Dia Mundial do Rock”. 

Mas se você acha que a data é comemorada em vários países do mundo, está enganado. Somente os brasileiros festejam esse dia anualmente. Tudo começou em meados dos anos 90, quando duas rádios de São Paulo passaram a mencionar o dia. Logo, a data tornou-se popular no país. 

 

Na ordem: Mamede Musser, Egon Costa, Pedro França e André Maturano (foto: divulgação)

Semivelhos
Em janeiro de 2012 nascia na cidade de Juazeiro, na Bahia, o grupo de rock alternativo Semivelhos, com André Maturano (guitarra), Mamede Musser (bateria), Pedro França (voz e guitarra) e Egon Costa (baixo).

O grupo possui dois álbuns e um EP gravado: Semivelhos (2012), Além Mar (201) e Antes do Fim (2016). Em 2015, os Semivelhos ganharam o Prêmio Caymmi de Música como ‘melhor videoclipe’, pelo voto popular, com o clipe da canção “Além Mar”. Neste ano de 2017, o grupo está novamente entre os finalistas, concorrendo com a videoclipe de “Antes do Fim”.


O Portal Zap não vai deixar essa data passar em branco. Comemoramos o dia trazendo uma entrevista com um dos integrantes do grupo, Egon Costa, baixista.


Portal Zap: O nordeste é uma região que tem como ritmo predominante, o forró e seus derivados. A Bahia, apesar de respirar uma mistura de ritmos, é o estado que originou o arrocha e o axé, portanto, são gêneros musicais mais comuns de se ouvir por aqui. Como surgiu a ideia de formar um grupo de rock em uma região que não oferece tanta abertura para esse tipo de estilo musical?

Egon Costa: A Bahia e o nordeste são um grande berço do rock, a exemplo do grande Raul Seixas que saiu daqui.  Em toda cidade do nordeste existe muita banda de rock. Já rodamos quase toda a Bahia tocando, e é surpreendente a quantidade de artistas e público que essas cidades geram. O rock nunca teve muita cobertura das mídias de massa em nenhum lugar do mundo. Eu posso citar aqui 100 bandas boas que ninguém conhece, só por não estarem na mídia, porém a internet tem facilitado a vida. A ideia de uma banda de rock eu acredito que não surgiu na cabeça de ninguém com o pensamento de ser um popstar mega famoso. Acontece da maneira mais estranha. Você junta os amigos para fazer o que gosta e as coisas começam a acontecer. 

 

PZ:  Muitas pessoas tem curiosidade em saber qual a origem dos nomes de grupos musicais. Eles nascem de trocadilhos, de referência a algo ou alguém, de uma situação inusitada. De onde surgiu a ideia de dá ao grupo de rock o nome “Semivelhos”?

EC: Surgiu porque a gente nem é velho, nem é novo. Vivemos no nosso próprio universo quando estamos juntos.

 

Show dos Semivelhos (foto: divulgação)

 

PZ: Como você avalia hoje o mercado do rock na região do Vale do São Francisco? Há muitos grupos formados? Há espaço para shows?

EC: Não é tão fácil fazer música alternativa no interior, porém toda essa dificuldade é superada pelo grande público alternativo que a região tem. Eu vejo um cenário muito melhor que as capitais em alguns momentos. Porém a falta de estrutura que enfrentamos e as dificuldades acabam sufocando esses artistas. Não existe muito espaço nem apoio do poder público. A região tem muitos artistas bons, porém a maioria desiste pela falta de incentivo e locais.  


PZ:  O “Semivelhos” se inspira em algum nome do rock nacional ou internacional? 

EC: Tem muitos nomes, porém acho que o maior responsável por tudo isso que fazemos é Raul Seixas.

 

PZ: Como é o show do “Semivelhos”? Vocês trabalham somente com músicas autorais, fazem versões de sucessos de outros grandes artistas, ou fazem de tudo um pouco?

EC: Às vezes achamos que estamos indo pelo caminho mais difícil, pois nosso show na grande maioria das vezes é 100% autoral. Porém mesmo sendo um caminho mais tortuoso, tem nos trazido grandes resultados, a exemplo da região do Vale. Sempre o público canta junto algumas de nossas músicas, tais como, “Romances Antigos”, “Estúpida Vida”, “Além Mar” e “Mariana”. [Essas músicas] não podem deixar de fazer parte do show. Mas ás vezes descontraímos tocando algumas bandas que gostamos: Nirvana, Metálica, Offspring, Raul Seixas...

 

Semivelhos (foto: divulgação)

 

PZ: Em 2015 vocês ganharam o Prêmio Caymmi com a música “Além Mar”na categoria ‘melhor videoclipe’. Conta para gente como foi essa experiência. 

EC: Foi surpreendente, pois estávamos em um momento de produção do nosso último álbum, o "Antes do Fim", que em 2017 está concorrendo novamente com um clipe da canção título em várias categorias do Caymmi. Porém sentimos um certo preconceito por ser uma banda do interior. Algumas coisas durante todo o processo da premiação em 2015 não ficou muito claro pra nós. Mas estamos lá novamente. 

 

PZ: O Portal Zap agradece a entrevista, e deixa espaço aberto para suas palavras finais, nesse dia especial, o “Dia Nacional do Rock”.

EC: Se você realmente se importa com a música alternativa, vá a shows, compre material das bandas, troque uma ideia com os amigos músicos que você tem acesso. Só isso para fazer o rock se prolongar com essa força e energia que tem. Por menor que seja o artista na sua concepção, jamais menospreze seu trabalho. Não são palavras só minhas, e sim de todos os artistas que vivem isso diariamente. Como disse o mestre Neil Young, "Hey hey, my my rock and roll will never die...". 

 

O grupo deve voltar a fazer show na região em agosto. Siga nas redes: Instagram, Facebook, Youtube e site oficial

 

Redação Portal Zap / Thiago Elias
TAGS: rock, dia do rock, semivelhos